segunda-feira, 6 de fevereiro de 2006

Mãos velhas


Mãos velhas. Enrugadas. Porém, sábias e ágeis.
Aprenderam a Arte de dar forma ao disforme. Modelaram. Criaram.

Recordo o desembaraço delas. A leveza que contradizia com o seu aspecto.
Eram macias aquelas mãos. Mas partiram.

Senti a vida fugir-lhe por entre os dedos sem que nada pudesse fazer para impedi-lo.
Ao meu lado um semblante espectral, sorrindo-me cumplicemente. Era ela. A Morte.
Levou-me as mãos. A vida. O avô.

E fiquei eu, para limpar as lágrimas. Tristeza e desespero de mãos dadas. Juntas a olhar para um futuro próximo doloroso e já conhecido.

O Paraíso está de luto.

14 comentários :

susana disse...

querida cakau, todos nós sentimos a perda de alguém mais querido bem lá no fundo...

sei o k é perder um avô muito querido e desejo-te muita força.
Se ajudar, podes ler a mnha carta de despedida para o meu avô aqui:

http://pastoradeestrelas.blogspot.com/2005/11/carta-de-despedida.html

bjks pastora de estrelas (k as estrelas te iluminem neste tempo mais escuro)

Anónimo disse...

A vida leva, finaliza o ciclo.. morrer para renascer...
te beijo

Teresinha White Snow disse...

a unica coisa que te posso dizer... é que se este post é verdade... e se essa pessoa fez o seu dever aki neste mundo entao neste momento esta la em cima bem aconchegada de Deus nosso Senhor.
bjus***

Mikas disse...

Minha querida a única coisa que te posso dizer é que tenhas força.

Um grande abraço. Beijinhos

sofia disse...

Menina, mulher, não sei!

Minha poesia, tuas palavras

Por ti, poeta serei

Entre dor, saudade e lágrimas.



Poesia teu olhar divino

Teus lábios abençoado pranto

Teus dedos com ouro fino

Teu seio doce, meu leito.



Amor, minha causa

Em teu humilde olhar

A paz em ti pousa

Ficando eu a sonhar.



Tua inocência quem sabe

Talvez mulher, menina

A ti o mundo se abre

A vida fica pequena.



Nesse teu sono suave

Perco-me na imaginação

Como uma ferida ave

Vuando em vão.



Mas menina ou mulher

O que a vida fez de ti?

Menino, homem eu saber

O que fizeste de mim?

Dad disse...

Pois é! A vida e a morte estão sempre de mãos dadas. Querida Cakau, compreendo como estás triste, mas pensa que a morte é uma situação aparente; o corpo vai-se mas a alma ou espírito, como lhe quiseres chamar, permanecerá pelos séculos dos séculos, pela nossa contagem temporal, no seu caminho para a iluminação absoluta. Foi esse o caminho agora iniciado. A morte e a vida são dois momentos de sinais negativos. No nascimente ri-se e a criança vai atravessar o vale do sofrimento que é a vida nesta terra e na morte chora-se.embora em muitos casos devessemos ficar felizes pela libertação daquela alma dos grilhões da matéria e do sofrimento terreno.
Deus o Todo Misericordioso e todos os santos estarão para ajudar a que comungue com eles da iluminação estpiritual eterna e imperecível.
Mas eu compreende muito bem a tua dor! É sempre um mau bocado, para nós, a separação física, mas realmente ele não morreu para ti, cada vez que te lembrares dele com amor.
Um abraço apertado neste momento de dor e um beijinho amigo,

pikenatonta disse...

Olá!!!! :)

Olha, tenho uma "tarefa" engraçada para ti no meu blog! Passa lá! Fico ansiosa de ler depois quais são... :p

Beijocas!!!!!

pikenatonta disse...

Minha linda (carreguei em enter cedo de mais)...
Compreendo a tua dor... e não há palavras que confortem o suficiente nestes momentos...
Muita força!!! ****

Alvaro Gonçalves disse...

"Ó Filho do Supremo!
Tenho feito da morte a mensageira de teu júbilo. Por que lamentas? A luz, Eu a fiz derramar sôbre ti o seu esplendor. Por que te ocultas diante dêste esplendor?
Bahá'u'lláh"

Meu anjo,

Bem sei que neste momento talvez nada te possa consular, talvez as palavras que escolhi acima não te consolem, mas acredita que sinto muito dor pela qual estás a passar, só espero que acredites que ele está olhando por ti e por todos aqueles que sempre amou.
Força!
Tem um fim de semana o melhor possivel e uma semana cheia de luz em teu coração.
Bjokas mil e xi - corações.

lobices disse...

Ele tinha treze anos quando o seu avô materno acamou com uma dessas doenças que não perdoam, mas que ele aceitou, consciente da sua pequenez neste mundo, consciente que aquela era a vontade de alguém mais forte que toda a força desta vida, para aquém e para além desta que temos. Durante dois anos houve momentos de dor e houve momentos de paz; nesses momentos mais felizes de paz, lá iam eles de mãos dadas passear um pouco para aliviar a carga psicológica que ele sabia carregar e aguentar firme como uma rocha; pequeno de estatura, e magro para além da magreza da própria doença, ele dava aqueles passos com a firmeza de um homem que nada tinha a temer e tudo tinha a enfrentar; ele dava aqueles passos com a firmeza de um homem que não tem medo de nada, nem daquilo que ele já sabia ter de enfrentar um dia.
Os seus passos pequenos, mas firmes, faziam compasso com os dele, ainda pequenos também pela idade ainda de criança, mas sentia-se como que o guardião daquele homem que naqueles momentos estava à sua responsabilidade e isso dava-lhe uma grande felicidade por estar a seu lado; também ele tinha consciência da doença que o minava pouco a pouco, também tinha forças para enfrentar aquela estranha harmonia de paz que os rodeava aos dois; uma paz diferente, um bem-estar compartilhado e interligado pelas duas mãos que se davam uma na outra, como dois cúmplices conscientes do "crime" que estavam a cometer a bem da harmonia e da paz de espírito, pois era carinho o que os rodeava e envolvia.
Mas o dia da partida (ou da chegada como o avô dele dizia às vezes por brincadeira) estava próximo. E quando esse dia surgiu ele teve consciência desse facto e soube-o enfrentar com uma dignidade que ainda hoje respeita.
Deitado na sua cama, e ele sentado a seus pés, o avô o olhoue com os seus lábios já muito finos, mas firmes, disse: "Vai chamar a tua Avó". Correu pelo corredor e foi chamar a Avó que, como sempre (toda a sua vida), estava agarrada aos tachos no fogão de lenha; na cozinha pairava um cheirinho a sopa quente.
-"Avó: o avô chamou-a."…Ela largou o fogão, limpou as mãos ao seu avental e dirigiu-se para o quarto onde ele estava; seguiu-a logo. Ela entrou no quarto e ele ficou à porta vendo.
Naquele momento, todo ele se transformou: na sua frente estava a sua Maria de todo o sempre, a Maria que sempre o acompanhou e que lhe deu as quatro filhas que ele tanto amou, a Maria que tantas vezes ele arreliou e ela perdoou. Na ombreira da porta ele assistia: a sua face pálida ganhou cor, os seus olhos pequeninos brilharam de plena felicidade e a sua boca se abriu com um enorme sorriso (o maior e mais bonito sorriso de felicidade que ele já vira em toda a sua vida!...) e disse: " Maria, senta-te aqui. "A sua Avó se sentou à cabeceira da cama e ele com o mesmo sorriso disse já numa voz mais apagada: -" Abraça-me."... A Avó o entrelaçou e ele viu os seus olhos pequeninos fecharem-se para todo o sempre, acompanhado com aquele sorriso lindo de felicidade!...
...
(foi assim que vivi a partida do meu avô...)
...um beijinho

Dad disse...

Cakauzinho, como é que vai isso? Estás melhor?

Beijinhos e abração para ti,

Helena Thadeu disse...

Eu nunca conheci os meus avós... Mas já perdi um pai... São estrelas que nos guiam.

Dad disse...

Olha, passei-te uma bola que tb. me passaram a mim. Vai ao Momentos de Luar e vê lá se te apetence entrar na roda...
Beijinhos,

Cakau disse...

Obrigada a todos pelo carinho excepcional! *