quinta-feira, 27 de julho de 2006

O equilibrio e o caos


Quando desejamos muito uma coisa e a queremos com toda a força do mundo, há uma energia que põe em acção a maquinaria do universo. Há uma energia que conspira a nosso favor ou contra nós. Quando nos é favorável, sentimos que tudo nos corre bem: motivamo-nos e temos força para escalar a parede mais íngreme em direcção ao céu. Quando não nos é favorável, sentimos bem o peso dos obstáculos que se atravessam no nosso caminho. Sentimos mãos invisíveis a empurrarem-nos, forças negativas a rondarem-nos e a perseguirem-nos. Sentimos que está tudo contra nós e que estamos a atravessar alguma fase negra da nossa existência.

- Mas porquê? Porque é que as coisas têm de ser assim? Porque é que simplesmente não atingimos o que queremos atingir? - perguntou Isabel.
- Porque as coisas têm de ser assim.
- Mas porquê? - Insistiu, irritada. Se havia coisa que estava farta era de frases simples que parecem sábias e que no fundo não respondem a nenhuma das suas questões.
- És a típica adolescente na segunda fase da idade dos porquês! Valha-me Deus, Isabel. As tuas perguntas têm imensas respostas e mesmo que as oiças a todas, nunca te irás satisfazer com elas. E conhecendo-te como te conheço, vais ser teimosa o suficiente para refutares tudo o que te disser, por isso, não sei se te diga ou se te deixe pensar por ti própria.
- Grrr... - um som quase inaudível que me teria escapado se não estivesse à frente da minha própria filha. A nuvem negra pairava-lhe sobre a cabeça. Quase lhe podia tocar.
- Eu só não percebo porque é que as pessoas complicam tanto as coisas e porque é que há tantos entraves ao que queremos atingir, pai. - Disse ela, de um só fôlego, tentanto dominar a sua ira
contra o infinito. Até se tornava divertido.
- Isabel, se toda a gente atingisse aquilo que deseja, não se sentiria o sabor da vitória. Era apenas mais um feito monótono e enfadonho que se tornaria diário. E depois, toda a gente seria igual e teria as mesmas coisas. Agora pensa lá como seria o mundo se todos estivêssemos felizes e contentes...
- Seria fantástico!
- Seria monótono. Tens a falsa ideia de que todos viveriam felizes para sempre, mas esqueces-te que a natureza humana é competitiva. Mais cedo ou mais tarde, voltávamos ao que somos hoje.
- Oh, tá bem! Mesmo assim não percebo porque é que temos tantos entraves até nas coisas menos ambiciosas.
- Olha, porque só assim conhecemos ambas as vertentes da vida: a boa e a má. E porque só assim podes experimentar o equilibrio e o caos e aprender daí alguma coisa.Ela fitou-me, pouco convencida da minha teoria. Mas sei que, pelo menos, iria pegar naquilo que ouviu e esmiuçar tudo até chegar à sua própria conclusão. Adquiriu a capacidade de pensar através de hipóteses e agora faz disso um exercício mental constante. E a utopia, essa está sempre presente na cabeça da Isabel.
Adolescentes!

O equilibrio e o caos. Às vezes experimentamos os dois no mesmo dia, não é?
Lembrem-se, pelo menos, que a conspiração seja ela a favor ou contra nós, tem sempre uma razão de ser. Mesmo que não a compreendamos.

segunda-feira, 24 de julho de 2006

Um meio regresso


Mini férias, dizia eu. Se eu chamo a um mês de ausência umas mini-férias, então desgraçados dos que só têm uma semana de férias! :p Mas a verdade, meus amigos, é que não fui eu que estive de férias. Por ter a cabeça demasiado ocupada com trabalho, exames e blá blá blá, deixei de escrever no Paraíso. Sim, foi o Paraíso que esteve de férias e não eu.
Deixado o recadinho, despeço-me com um beijão para cada um de vocês e com a promessa de que ainda esta semana escreverei um texto decente :)
Já tenho saudades vossas.