segunda-feira, 25 de setembro de 2006

Partilha



O Outono chegou e com ele as primeiras chuvas a anunciar um Inverno que no calendário ainda tarda a chegar.
Os dias vão-se tornando cada vez mais pequenos e as noites maiores. O tempo parece encurtar-se ainda mais não deixando espaços de tédio entre um afazer e outro.

No meio de toda esta agitação outonal, arranjei tempo para passar por aqui e dizer-vos um olá. Lamento ainda não ter passado nos vossos espaços - espero fazê-lo em breve - mas sei que vocês compreendem, sobretudo se partilhar convosco que o esforçado trabalho que desenvolvi até aqui, deu os seus frutos. Depois de alguns cursos e de várias áreas em que trabalhei, voltei a estudar (e eu que pensei que nunca mais queria ver livros à frente!). Desta vez a área é Psicologia.

Cá vos espero :P

segunda-feira, 4 de setembro de 2006

A casa assombrada

Diz a lenda que quem ousasse entrar na casa assombrada, seria amaldiçoado pelos espíritos que lá habitam há mais de 200 anos.
Não é daqueles sítios que quase nos magnetizam e nos puxam em sua direcção, mas devo admitir que exerce um certo fascínio e que dá mesmo vontade de dar lá uma espreitadela, sobretudo para matar a curiosidade que se vai instalando gradualmene.
- Supersticiosas, é o que as pessoas são. - Disse o Sr. Joaquim, com um meio sorriso.
- Isto não tem nada a ver com superstição. O que acontece lá é mesmo real. Olha o que aconteceu ao filho da Filó!
- O que aconteceu? - Perguntei, metendo-me numa conversa que era, à partida, para quem estivesse interessado. E eu estava.
Ambos olharam na minha direcção e o senhor, nos seus 75 anos, bem conservados, respondeu-me:
- O filho da Filó ousou meter-se naquela casa e desde então nunca mais foi o mesmo. Não tem sorte na vida. Em tudo o que se mete, sai fracassado.
- Isso é um disparate! - Contrapôs o Sr. Joaquim.
- Disparate? Não foi o único!
- Ó homem, só acredita nisso quem for muito limitado. As maldições não existem. Desde garoto que oiço esta história, mas tal como todas as histórias, esta tambem não passa disso mesmo.
Levantei-me, paguei a minha despesa e sorri-lhes.
- Não se deixe levar pelas histórias deste velho, menina. - Disse o Sr- Joaquim, dando uma palmada seca ao companheiro.
- Não se preocupe. Não sou supersticiosa.

Olhei para a casa, no meio do nada. Decadente, um pouco assustadora. Mas como as aparências não revelam detalhes, resolvi entrar.
Tudo o que vi foram paredes velhas, teias de aranha, uma escuridão terrível. O cheiro a mofo e a velho dominavam o ar. Retratos poeirentos e quadros enormes enchiam as paredes. Descobri objectos lindíssimos. Pequenos tesouros e pedaços de memórias que, curiosamente, ninguém ousava tirar.
Percorri a casa e não vi nenhum espírito nem ouvi nenhum ruido suspeito. Sentia uma ligeira pressão no peito. Nunca sabia o que poderia encontrar, mas fantasmas não era, de certeza. À medida que me ia habituando à escuridão e à "vida ausente" naqueles retratos e objectos, a pressão no peito ia desaparecendo. O medo estava a despegar-se de mim.
Saí de casa, sem qualquer maldição nos ombros. O mundo cá fora continuava exactamente igual.

No dia seguinte, voltei ao café.
- Está diferente hoje, menina.
- Estou? Deve ser do penteado novo! - Brinquei.
- A menina foi à casa, não foi?
«Ora esta, como é que ele sabe?»
- Fui.
- Pois fez muito bem! Como vê, não está amaldiçoada. - E dito isto, começou a rir-se.
Olhei-o com aquele olhar de quem pergunta alguma coisa sem dizer uma palavra.
- Eu sei, eu sei... Deve pensar que estou maluco. Mas o que se passa é que nesta aldeia, como em qualquer outra, as histórias são como as ervas daninhas: crescem de qualquer maneira e em qualquer sítio. E depois há sempre um acrescento ou outro que lhes dão vida. Aquela casa é apenas mais uma fonte de inspiração. Mas devo dizer-lhe que as pessoas acreditam em tudo o que envolve coisas obscuras, está a ver? E a verdade é que as pessoas que vão àquela casa nunca vêm igual.
- Eu vim.
- Não, não veio. Há pessoas que quando saiem de lá, vêm a sua vida reduzir-se. O filho da Filó, esse pobre coitado, nunca teve sorte na vida. Mas também nunca fez um esforço para mudar. Mantém-se preso às raízes. Não sabe o que é voar, percebe? Há outras pessoas que depois de lá entrarem apercebem-se que a vida é demasiado curta e que nós não somos objectos que permanecem no tempo. Cada pessoa identifica-se com alguma coisa naquela casa e é por isso que nunca saiem de lá da mesma maneira que entraram.
- Todas as histórias têm uma moral, é o que me está a tentar dizer.
- Sim.
- E qual é a moral desta?
- A moral é simples: às vezes precisamos de enfrentar os nossos medos, a escuridão, o ar frio e cortante, o coração que mais parece um tambor desenfreado dentro de nós, as teias de aranha, o medo do desconhecido, as casas assombradas que existem mesmo dentro de nós. Se não os vivermos, nunca mais conseguimos sair da capsula protectora que nos impede de pisar o risco. Somos amaldiçoados. E a menina não está almadiçoada. Vejo-lhe nos olhos um horizonte vasto e colorido.
Sorri-lhe e levantei o copo de sumo, num brinde silencioso.
- À vida! - Disse o Sr- Joaquim, piscando-me o olho.
Assenti.
À vida!

sexta-feira, 1 de setembro de 2006

Por aqui, actualiza-se!


Olhei para o calendário hoje. Um de Setembro. Ainda ontem foi Julho, o mês dos sacrifícios, das tentativas e do verão e já estamos em Setembro, o mês do recomeço, das mudanças, da queda das folhas.
Mas não me apetece dissertar sobre o tempo e a rapidez com que ele passa. Aliás, não me apetece dissertar sobre grandes coisas. Nem imaginar estórias. Estou num humor tal, que se pensar demasiado em qualquer coisa, vou acabar num estado lastimável.
Há dias em que o humor nos prega partidas. E a nossa mente brilhante, também.

Então resolvi arregaçar as mangas e actualizar este Paraíso que esteve entretido com as aranhas que foram tecendo as suas teias aqui nos recantos... De qualquer forma, ei-lo de novo!, de carinha lavada e pronto para recomeçar (esperemos) a encher-se de visitas.

Até já.