quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

Não sei


Não sei.
Não sei se amanhã vou estar viva ou não. Se vou ter quem amo do meu lado ou não. Se vou percorrer algum trilho ou se vou estacionar pelo caminho.
Não sei o que esperam de mim. Não sei a imagem que dou. Não sei o que querem que seja.
Sou assim, imperfeita. Erro, como toda a gente. Falho, como toda a gente. Faço merda, como toda a gente.
Podem apontar-me o dedo. Dizer que sou isto ou aquilo. Que devia ser isto ou aquilo. Que devia mudar isto ou aquilo. Aceito todas as críticas.
Não me importo que me apontem o dedo, se for para me ajudar. Não sei.
Não sei o que diga. O que faça. O que vai acontecer. O que me vão dizer.
Sei que a vida às vezes não presta e que, mesmo sem querer, fazem-me sentir o ser mais desprezível à face da terra, quando eu própria sei que não o sou.
Não sei.

Fico à espera.

sábado, 13 de janeiro de 2007

Reflexões

Com uma chávena de chá entre mãos, um cobertor fino a proteger-me do frio cortante da noite e a mente a vaguear pelo universo, dispersa e incontrolável.
Era assim que estava ontem à noite, na minha varanda.

Pensei na minha vida (como tantas outras vezes). Mas desta vez não me senti nostálgica. Estava estranhamente serena e convicta de que tinha muito para viver. Não senti medo de envelhecer. Nem pensei nisso, sequer.

Pensei no que sou. No que não sou. No que poderia ser. No que me posso tornar. Às vezes sinto-me tão cheia e tão capaz de tudo que parece que vou explodir. E, no entanto, tenho tantas lacunas e espaços vazios que não sei como preencher.

Beberriquei o chá, pensando nas pessoas que me rodeiam e na importância que têm para mim. Pensei em cada palavra que me disseram, em cada gesto afectuoso que me dirigiram. É bom sentir que há quem goste realmente de nós e,ainda assim, isso parece condicionar as atitudes das pessoas para connosco.
Pensei inevitavelmente na perfeição. Na comparação que fazemos entre as pessoas e nas caracterísitcas que procuramos nelas. Nunca nos vamos contentar com o que temos, por muito bem que estejamos. Esta é uma realidade dolorosa que temos de aceitar, em nós e nos outros.

Recordei conversas mais ou menos recentes e pensamentos mais ou menos presentes na minha memória. Relembrei as minhas opiniões passadas e vi-me forçada a reformulá-las. Se não mudarmos o que pensamos, estagnamos. Estupidificamo-nos.

Fixei o olhar num ponto infinito, indefinível.
Não acredito no destino, bem sabem. Deus não é escritor. Mas olhar este céu faz-me acreditar numa energia qualquer que nos compele a seguir em frente, que nos ajuda a suportar o sofrimento e nos faz perseguir os nossos sonhos. E pergunto-me: afinal, qual é o nosso maior sonho?

Entre pensamentos soltos, fitei o céu e deixei-me estar assim por algum tempo, apreciando o sopro de vida nocturna, certa de que aconteça o que acontecer, não vou estar completamente sozinha...

Fechei os olhos por um momento e sou capaz de jurar que noutro ponto qualquer do mundo, estaria alguém na varanda ou à janela a pensar na vida. Como eu.

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

Bom ano!


Ano novo, vida nova.

Uns dias antes do ano acabar, todas as pessoas andam agitadas. Há que decidir o sítio onde se vai passar o ano, a companhia, a roupa, a maquilhagem, a atitude a mostrar na tão desejada noite. Coisas tão supérfluas que até dói. Uma azáfama terrível, dinheiro gasto em excesso, tudo por uns míseros 10 segundos, de contagem decrescente para passarmos do dia 31 ao dia 1.
Todos temos os melhores desejos e as melhores perspectivas para o novo ano. Todos queremos mudar o que está mal na nossa vida, concretizar projectos adiados, ter sucesso e saúde. Neste aspecto, sou igual a toda a gente: também tenho desejos. Se vou conseguir realizá-los ou não, é outra história...
Sei que é uma passagem simbólica, mas não consigo perceber porque lhe damos tanta importância, quando nos outros dias somos o oposto.
Apesar de tudo, quero que toda a gente seja feliz. Quero que todos aproveitem cada dia deste ano, cada oportunidade que surja, cada trecho de felicidade que se proporcione. E neste sentido, só vos desejo o melhor!
FELIZ 2007!