sexta-feira, 23 de março de 2007

Bolas de sabão

Duram apenas alguns segundos. Algumas nem chegam a formar-se. Outras, as mais felizes, soltam-se e experimentam o sabor da liberdade - um voo curto, conquistado pela ousadia.
São brilhantes. Têm o arco-íris em si. São frágeis: quando tocam nalguma coisa, rebentam.
São mágicas. Encantam-nos e remetem-nos para os "algures" da nossa infância, onde ainda se sabia o que eram as bolas de sabão.
Tenho-me lembrado delas, ultimamente.
Cada bola, uma lembrança. Cada lembrança, um afecto. Cada afecto, uma pessoa. Cada pessoa, uma vida. E nessa vida, o fim. A bola rebenta-se, a vida acaba.

Sim, estive de luto. Ainda me ocorrem várias bolas de sabão, repletas de memórias. Ainda penso na efemeridade da vida, na nossa insignificância. Mas aos poucos vou retomando a respiração. Aos poucos volto a colorir os dias. Pequenos salpicos ali e aqui.

Aos poucos vou lançando mais bolas de sabão, esperando que alguma deles chegue ao céu.

Tenho saudades.