quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Acreditar sem viver

Sentou-se à mesa e acendeu um cigarro. Aspirou o fumo e expeliu-o com a experiência de quem fuma há muitos anos. Repetiu os mesmos gestos algumas vezes até se sentir relaxado.
Depois de uns minutos neste silêncio absoluto, pegou num copo de vinho, olhou pela janela e disse para si próprio:
- Ter um sonho especial e não vivê-lo é desonesto.
Ingeriu o vinho num só trago e ficou a pensar no que podia fazer para tornar o seu sonho realidade...
[A maior parte das vezes desculpamo-nos com o facto de não termos os instrumentos necessários para a realização dos nossos sonhos. Eu cá, acho que nos falta é a coragem...]

sábado, 18 de outubro de 2008

Ainda não é...

Ainda não é inverno. Ainda não faz aquele frio de rachar em que só apetece estar junto da lareira a aquecer os pés, as mãos, o corpo e a alma. Ainda não há a associação Inverno-Natal porque os dias ainda não são o prolongamento da noite e as pessoas não andam de sorriso na cara, independentemente do estado em que vai o país, a crise, a vida...
Ainda não vestimos cachecóis e luvas, nem meias de lã, nem usamos lençóis de flanela e pijamas polares. Ainda não precisamos de ligar o aquecedor para evitar que as nossas extermidades partam ou se imobilizem com o gelo.
Ainda não neva. Ainda não se vê as estradas brancas ou o orvalho gélido e cortante das manhãs. Ainda não se bebem chocolates quentes ou chás de especiarias. Ainda não nos enrolamos em cobertores, sentados no sofá a ver televisão ou a ler um livro.
Ainda não é inverno.
Mas quase que me apetece que seja...

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Off topic

Não sei se é por causa do Alho, se é pelo politicamente (in)correcto... A verdade é que acho este blog genial, pela capacidade crítica, pela ironia e pontinha de sarcasmo, pelas muitas verdades da nossa sociedade, pela inteligência, desembaraço e diversidade de assuntos.
São muitas as razões para visitá-lo. Vale a pena passar pelo Alho Politicamente correcto.


Porque os Alhos andam aí... e para ficar!

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Searas

Há dias recebi um email de uma senhora que acompanha o Paraíso no Inferno desde o início (já lá vão três anos e pico). Dizia a senhora que mesmo com as poucas actualizações que vou fazendo, continua a vir cá. Lamenta o facto de não ter arquivos para reler os textos anteriores. Depois de lhe ter explicado o porquê, compreendeu e sugeriu, pelo menos, aumentar o nº de textos visíveis na primeira página.

Depois de ler o simpático email e de pensar sobre o assunto, resolvi seguir a sua sugestão. E dei-me ao trabalho de ir ver as visitas que o Paraíso tem tido. Há alguns resistentes que continuam a vir a este espaço e aos quais agradeço do fundo do coração :)

Enquanto preparo uma nova história, despeço-me com este pensamento de Camilo Castelo Branco:

"Os dias prósperos não vêm por acaso. São granjeados, como as searas, com muita fadiga e com muitos intervalos de desalento."

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Procura

- As pessoas procuram o bem-estar, a felicidade, a satisfação e o contentamento em fontes exteriores. Compram um carro, compram uma casa de férias, compram a felicidade, mas ainda assim sentem-se infelizes...
- Estás a falar de ti próprio? - Perguntou o velho, adivinhando os dilemas do jovem.
- Sim, quer dizer... não conheço ninguém diferente. Não sei como não consigo estar bem, com todas as coisas que adquiri.
O velho suspirou, olhou para o céu, remexeu-se no banco de jardim e depois de uma pausa, disse:
- É preciso sentires-te bem contigo e saberes que estás a fazer as coisas que gostas e o que é certo, para que sintas prazer em tudo o que consegues conquistar. Se não conseguirmos encontrar contentamento em nós próprios, é inútil procurá-lo noutro lado. - concluiu.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Finalmente!


Entre os aleluias de ter acabado mais um ano da licenciatura, aproveito para vir aqui (tenho de fazer uma limpeza às teias de aranha) e dizer que ainda estou viva.
Em breve, um novo ritmo para o Paraíso!

terça-feira, 27 de maio de 2008

Silêncio, por favor!

Naquele momento, só me apetecia arrancar pescoços, andar à chapada e arrancar cabelos. A ira que sentia era tanta que tenho a certeza que os meus olhos estavam raiados de sangue, prontos para sair fora de órbita e atacar qualquer um que abrisse a boca.
Nos dias que considero normais, há uma coisa que me irrita bastante: a falta de silêncio nos locais onde é necessário tê-lo. O silêncio é essencial para nos concentrarmos numa tarefa específica, para acedermos ao conhecimento profundo, para reflectirmos ou simplesmente para estarmos descontraídos. Quando vejo uma tabuleta a dizer "silêncio", sorrio, porque estou exactamente no sítio onde deveria estar. Acontece que as mesmas pessoas que frequentam estes locais, ignoram a tabuleta, o aviso, as pessoas em redor.
Nos dias normais, peço para baixarem o volume e respeitarem quem está a tentar fazer alguma coisa útil. Ofendem-se com o comentário. Olham-me de soslaio como quem comenta "que está esta aqui a fazer?", ao que eu respondo com um olhar gélido do tipo "eu estou no sítio certo, vocês é que parecem não estar". Isto, repito, nos dias normais.
Mas hoje, meus amigos, foi um dia fora do comum. Foi um dia de stress acumulado, de mau humor, de refilanços e palavras espingardadas. E hoje, não me fiquei com os pedidos educados e olhares gélidos. Hoje a ira foi de tal ordem que já só imaginava cenas de pancadaria! Mortes psíquicas, peles arrancadas.
Felizmente, a bibliotecária mandou calar toda a gente, num tom tão autoritário que ninguém ousa desafiar.
Ouvi o silêncio e acalmei. As imagens de violência atenuaram-se mas, de vez em quando, regressavam. E eu descontraía sempre que o silêncio vencia!
Pois é. Hoje não foi um dos meus dias... ;)

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Demasiadas exigências



Todos nós exigimos mais.
Mais dinheiro, mais um carro, mais uma casa, mais umas férias num qualquer paraíso tropical, mais compreensão, mais roupa, mais acessórios, mais pessoas influentes, mais boa vida.
Acontece que, quando o peso da vida se torna insuportável de aguentar, apercebemo-nos de que, afinal, precisamos é de menos encargos fiscais, de menos trabalho, de menos problemas, de menos responsabilidades.
Tentamos contrabalançar as coisas. Uns dias desperdiçamos o que temos, noutros somos obrigados a sentir a falta do que já não é nosso. Há dias em que esquecemos o nome dos nossos amigos, há outros em que nos lembramos deles porque precisamos de uma palavra que conforte os nossos corações.

A vida é agitada e por ser assim, não deixa de ser mágica. O que nem sempre sabemos é que no fundo, no fundo, é preciso muito pouco para tornar a vida feliz.

domingo, 20 de abril de 2008

* Vigésimo sexto aniversário *

Deixei passar o meu aniversário aqui... 15 de Abril. Já os festejei com vocês enquanto pirata, com buscas ao pote de ouro no fim do arco-íris e este ano fui um fantasma, que nem se dignou a aparecer por aqui ;p
A importância deste dia não supera a importância de qualquer outro dia. A única diferença é que recebemos mais mimos e presentes. Sinto-os como uma obrigação social, mas, apesar de tudo, sabem bem :)
De volta ao Paraíso!

domingo, 9 de março de 2008

3º aniversário


Nunca tal me tinha acontecido. Esquecer-me de um aniversário importante. Deixar de escrever publicamente durante tanto tempo...
Na verdade, não é falta de inspiração. É falta de tempo para ter inspiração. Para este paraíso. Continuo a escrever, continuo a deixar a minha imaginação divagar. Só que é tão curto o tempo para vir aqui partilhar. É tão curto o tempo para inverter as prioridades.
Ainda assim, o Paraíso está de Parabéns! Quase três semanas de atraso! Mas não importa. Já conta com três anos a partilhar experiências, ideias e contos. Já são três anos de muita riqueza, de muitos momentos bons e menos bons.

A todos os que ainda continuam a passar por cá, fielmente, o meu muito obrigada.
Talvez em breve, inverta prioridades e seja mais assídua nesta escrita :)

Até breve

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Religião



Crença. Fé. Força interior. Cada um chama-lhe o que quiser. E cada um sente-a de forma mais ou menos intensa.
Junto a uma igreja, ouvia as senhoras mais velhas a comentarem que a missa de hoje já não é como antigamente.
- Até os Padres estão mais modernos! Onde já viu mandar piadas a meio da homilia? - Questionava uma, indignada.
- E a semana passada até casou pessoas que não tinham o crisma e que nunca prestaram serviço à igreja!
- Os tempos são outros, comadres. Se tudo permanecesse igual, a igreja perderia mais gente do que a que tem vindo a perder. Os jovens hoje não se interessam por nada. Há que fazer alguma coisa para cativar.
Pude observar os olhares que as outras lançaram à amiga. Eram de espanto e censura.

Segui caminho, apressando o passo. Pensei realmente que a fé de cada um não passa por ir a igrejas. Nem a fazer comentários maldosos. Nem a comentar a vida dos outros. Passa por acreditar nalguma coisa que nunca estará ao alcance da compreensão do nosso vizinho do lado. Simplesmente porque é individual.

As religiões são como a política: distraiem e alteram as pessoas.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Silêncio!

Gosto da quietude. Do silêncio (ou do quase-silêncio). Gosto de não ouvir mais nada a não ser os meus pensamentos. Gosto de fechar os olhos e de sentir vertigens do vazio que há em mim depois de um dia tremendo.
Gosto de estar sozinha. De olhar para um ponto qualquer e perceber que também eu sou um ponto qualquer do universo.
Não gosto que me interrompam. Não gosto que perturbem estes momentos. Não gosto que me chamem para ir fazer alguma coisa urgente.
Porque quando estou assim é quando preciso de estar realmente sozinha. Para encontrar alguma paz.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Imaginar



No mundo da imaginação não há limites. Dá-se vida a seres inanimados, misturam-se cores para criar novas tonalidades, faz-se objectos falarem e distorce-se a realidade da maneira mais incrível e bizarra possível. Porquê? Porque é uma maneira de nos evadirmos, de extravasarmos, de nos desviarmos das dores de cabeça do dia-a-dia e dos problemas que constantemente nos afectam.

Numa técnica psicoterapêutica (leccionada no curso e que vou usar com potenciais pacientes!), aprendi a usar e abusar da minha imaginação. A ouvir melodias (sem música), a relaxar, a dar vida às imagens, a construir uma imagem pessoal que possa chamar/recorrer quando o stress está a dominar-me.

Naqueles momentos em que apetece gritar, berrar até não se sentir raiva ou atirar tudo contra a parede, podemos minimizar os efeitos com o uso da imaginação. Eu chamo-lhe slide da paz! lol Mas chamem-lhe o que quiserem. O importante é que relaxemos - graças à nossa imaginação!

sábado, 5 de janeiro de 2008

Terra


- Não passamos de terra. - Dizia o senhor. - De lá vimos e para lá voltamos.
Eu permanecia em silêncio, em concordância e já conhecedora desta certeza, comum a todos nós.
- A menina sabe qual é a mais valia da terra? É que ela é acolhedora, fria e fértil. Independentemente do seu estado, acolhe ou proporciona vida.
Fiquei a pensar nisso.