terça-feira, 27 de maio de 2008

Silêncio, por favor!

Naquele momento, só me apetecia arrancar pescoços, andar à chapada e arrancar cabelos. A ira que sentia era tanta que tenho a certeza que os meus olhos estavam raiados de sangue, prontos para sair fora de órbita e atacar qualquer um que abrisse a boca.
Nos dias que considero normais, há uma coisa que me irrita bastante: a falta de silêncio nos locais onde é necessário tê-lo. O silêncio é essencial para nos concentrarmos numa tarefa específica, para acedermos ao conhecimento profundo, para reflectirmos ou simplesmente para estarmos descontraídos. Quando vejo uma tabuleta a dizer "silêncio", sorrio, porque estou exactamente no sítio onde deveria estar. Acontece que as mesmas pessoas que frequentam estes locais, ignoram a tabuleta, o aviso, as pessoas em redor.
Nos dias normais, peço para baixarem o volume e respeitarem quem está a tentar fazer alguma coisa útil. Ofendem-se com o comentário. Olham-me de soslaio como quem comenta "que está esta aqui a fazer?", ao que eu respondo com um olhar gélido do tipo "eu estou no sítio certo, vocês é que parecem não estar". Isto, repito, nos dias normais.
Mas hoje, meus amigos, foi um dia fora do comum. Foi um dia de stress acumulado, de mau humor, de refilanços e palavras espingardadas. E hoje, não me fiquei com os pedidos educados e olhares gélidos. Hoje a ira foi de tal ordem que já só imaginava cenas de pancadaria! Mortes psíquicas, peles arrancadas.
Felizmente, a bibliotecária mandou calar toda a gente, num tom tão autoritário que ninguém ousa desafiar.
Ouvi o silêncio e acalmei. As imagens de violência atenuaram-se mas, de vez em quando, regressavam. E eu descontraía sempre que o silêncio vencia!
Pois é. Hoje não foi um dos meus dias... ;)